
Fezolinetante: uma nova abordagem não hormonal para os fogachos da menopausa
Durante a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio interfere no equilíbrio de neurônios hipotalâmicos envolvidos na termorregulação, especialmente os neurônios KNDy — que expressam kisspeptina, neurocinina B e dinorfina. Essa desregulação contribui para uma maior instabilidade do centro termorregulador, favorecendo os sintomas vasomotores, como fogachos e sudorese noturna.
Nesse contexto, o fezolinetante surge como uma opção terapêutica inovadora. Trata-se de um medicamento não hormonal, antagonista do receptor de neurocinina 3, o NK3R. Ao bloquear a ação da neurocinina B nesse receptor, o fármaco ajuda a modular a atividade dos neurônios envolvidos no controle da temperatura corporal, reduzindo a frequência e a intensidade dos sintomas vasomotores.
Uma meta-análise publicada em 2024 avaliou ensaios clínicos randomizados com fezolinetante em mulheres na pós-menopausa com sintomas vasomotores moderados a intensos. Os resultados favoreceram o medicamento em comparação ao placebo, com redução significativa da frequência diária dos fogachos e também da gravidade dos sintomas. Além disso, os estudos incluídos apontaram melhora em desfechos relatados pelas pacientes, como qualidade do sono, sintomas climatéricos e qualidade de vida.
Na prática clínica, esse é um avanço importante, especialmente para mulheres que apresentam contraindicações à terapia hormonal, que não desejam utilizar hormônios ou que necessitam de uma alternativa direcionada especificamente aos fogachos e suores noturnos. A bula norte-americana indica o fezolinetante para sintomas vasomotores moderados a severos associados à menopausa.
No entanto, é fundamental compreender que o fezolinetante não substitui uma abordagem global da saúde da mulher na menopausa. Por ser uma terapia direcionada aos sintomas vasomotores, ele não atua diretamente em aspectos como saúde óssea, composição corporal, massa muscular, risco cardiovascular, saúde geniturinária ou metabolismo. Por isso, a avaliação deve continuar sendo individualizada e multidisciplinar.
Outro ponto relevante é a segurança. O uso do fezolinetante exige atenção à função hepática, com avaliação laboratorial antes do início e monitorização durante o tratamento, além de cuidado com interações medicamentosas, especialmente com inibidores do CYP1A2. A bula também traz contraindicações, como cirrose conhecida, insuficiência renal grave ou doença renal terminal, e uso concomitante de inibidores do CYP1A2.
Assim, o fezolinetante representa uma opção promissora e bem-vinda no manejo dos sintomas vasomotores da menopausa. Ele amplia o arsenal terapêutico, especialmente para mulheres que não são candidatas ideais à terapia hormonal. Ainda assim, seu uso deve estar inserido em uma avaliação clínica completa, considerando sintomas, riscos, preferências da paciente, comorbidades e objetivos de cuidado a longo prazo.
